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Cantinho do Beato

Pe. Luís Caburlotto

Pensamentos e ensinamentos do
Beato Pe. Luís Caburlotto, nosso fundador.

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Centelhas de luz
Pensamentos do Padre Luís Caburlotto
Instituto das Filhas de São José - Província Sagrada Família – Brasil

Breve relato sobre a caminhada do Padre Luís 

 

O venerável Pe. Luís Caburlotto, nascido em Veneza no dia 7 de junho de 1817, foi consagrado sacerdote em 1842 pelo patriarca Jacopo Monico. Cooperador em San Giacomo dall'Orio, em Veneza, e depois pároco, fundou em 1850 o Instituto das Irmãs Filhas de São José para a educação da juventude especialmente pobre e abandonada.
Educador por vocação, foi diretor de Institutos públicos onde soube manter com perspicácia sabedoria de coração o direcionamento educativo católico em meio a dificuldades incomuns.

Apresentação

Centelhas de Luz é uma coleção de pensamentos do Pe. Luís Caburlotto, homem de  profunda experiência cristã, para quem o viver era em Deus, por Deus, com Deus. 

Os consultores teólogos, que em dezembro de 1993 reconheceram as suas virtudes heroicas, escreveram: 

No espelho limpíssimo de sua consciência sacerdotal é extremamente fácil reconhecer a presença de uma fé verdadeiramente teologal que preenche de sobrenatural tanto a  vida interior quanto as relações sociais. 

O seu agir virtuoso se revelou na procura do crescimento da fé nas pessoas, para que elas pudessem desenvolver plenamente a própria personalidade. 

A sua ação constantemente serena, perseverante na dificuldade, prudente e cordial nas  relações, a sua dedicação ao bem dos pobres, a fundação do Instituto das Filhas de São  José, sem possuir meios econômicos, demonstram uma profunda fé em Deus e na sua  Providência, e uma esperança corajosa. 

Os pensamentos aqui apresentados são citações das homilias, que Pe. Luís Caburlotto dirigiu a seus paroquianos, e das orientações apresentadas aos educadores. Esta  publicação quer tornar conhecido o coração de um pai e de um mestre a quem deseja  viver o quotidiano com fé, de qualquer idade, de qualquer condição de vida e trabalho. 

De fato, o caminho de fé que Pe. Luís percorreu como sacerdote, educador e fundador  tem ajudado cada cristão a encarnar em sua vida algumas atitudes fundamentais: a  confiança, a prudência, a paciência, a justiça, o respeito pelos outros. 

Quem ler estes pensamentos com a disponibilidade de discípulo poderá ser ajudado a  propagar luz no próprio caminho, a encontrar conforto, a fortalecer a fé em Deus. 

Madre Francesca Lorenzet

 

Sob o Olhar do Pai 

 

Alguém te ama!

 

Deus é como um bom pai de família: ele é misericordioso, ama profundamente as suas criaturas e as convida a trabalhar pela própria salvação, que Ele deseja ardentemente. 

Deus é pai de todos os seres humanos, de todas as nações, de toda a terra, de todos os  tempos, e quer que todos se salvem. 

O nosso Deus é bondade infinita, beleza infinita, misericórdia infinita, poder infinito. Deus colocou a sua imagem no ser humano para que ele cuidasse dela. 

A bondade de Deus molda a alma de sua criatura. com um delicadíssimo projeto de  amor. 

A parábola do filho pródigo é uma bela imagem da infinita misericórdia do nosso Deus. 

A obra de Deus toca-me profundamente cada vez que olho para a terra, a soberba  majestade das montanhas, a doçura encantadora das colinas, suavidade dos campos  floridos. 

O coração tem necessidade de infinito

 

Quem vive na presença de Deus aprende a sentir e a agir conforme o Coração de Deus. Fora de Deus, nada realmente satisfaz. 

Muitos se gloriam de ter se sentado à mesa com personagens importantes: pois bem,  nós somos convidados do próprio Deus. 

Quem ama a Deus com ardente amor deseja firmemente a virtude e não sabe ser feliz  sem Deus. 

Quem põe a sua esperança no Senhor, escolhe o bem verdadeiro, não os bens  transitórios, e o Senhor mesmo é a sua riqueza. 

Todas as criaturas juntas não são suficientes para preencher o coração humano: ele tem  necessidade de infinito, ele tem necessidade de Deus.

Jesus Cristo Mestre e Senhor

Jesus, o Mestre

 

A delicadeza e a doçura manifestam a mansidão de Jesus Cristo. 

Eu sou manso e humilde de coração: aprendei de mim, diz o Senhor. Se Ele perceber em  nós pessoas que se esforçam por imitar a sua mansidão, haverá de nos conceder o  perdão. 

Imitemos Jesus olhando para cada pessoa com grande misericórdia. 

Se considerarmos paciência e a bondade com que Jesus nos trata, não será difícil para  nós acolher todas as pessoas com paciência e bondade. 

Jesus Cristo nos dá exemplo de oração contínua: ele rezava quando fazia milagres,  rezava quando pregava e quando sofria a paixão. 

Jesus se mostra como o verdadeiro pastor das ovelhas uma vez que caminha a sua frente e se oferece como exemplo. Prega a humildade e a vive ao se encarnar; prega a pobreza  e quis nascer e viver pobre; prega a penitência e dá testemunho de grande sobriedade. 

Jesus podia muito bem escolher uma condição de riqueza; em vez disso, escolheu a  pobreza, e assim nos revela o valor que ela tem de santificação. 

Seja o nosso empenho por toda a vida, agir de acordo com o espírito de Evangelho. 

Os sentimentos de afeto não são mortificados, aliás, tornam-se mais fortes e  verdadeiros se a caridade de Cristo enobrece-los. 

A vida de Jesus Cristo deve ser a nossa vida. Se os cristãos estudassem mais os  Evangelhos e menos os romances e as tragédias, não seriam tão ignorantes em matéria  de conduta cristã.

 

Jesus, o Senhor amado 

Inflamemos o coração de amor pensando que na Eucaristia Jesus se faz pão para nós.

 

Quem vive a caridade ensinada por Jesus tem um coração generoso para com todos. Com Jesus pode-se tudo. 

Do sacrário o Senhor Jesus ouve todas as orações de todos os homens e lhes dá força e  graça. 

Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida, é a luz em pleno meio-dia, a esperança, a  salvação da humanidade, o porto seguro.

Por ser misericordioso, Jesus une o pouco que podemos dar aos méritos infinitos de sua  paixão, para pagar as nossas dívidas. 

O Senhor Jesus Cristo obedece à voz do homem, concedendo aos sacerdotes o poder de consagrar o pão e o vinho. 

A Eucaristia é força para os fracos, conforto para os aflitos, graça para os pobres, consolo para os humildes. 

A Eucaristia é um sinal especial da misericórdia de Cristo por seus irmãos.

 

O homem não pode conseguir nada de Deus a não ser por Jesus Cristo e seus méritos.

 

Para quem vive a intimidade com Jesus, todo peso é leve, todo sacrifício é consolação.

 

Coloquemos em Jesus a nossa confiança, certamente Ele nos ajudará.

Flashes da Cruz

Através do sofrimento, o Senhor nos dá um meio de purificação, e o faz porque muito  nos ama. 

Os pequenos, os pobres, os mais abandonados são o adorno e a glória da Igreja. 

A cruz tem por raiz a humildade, por tronco a pureza e por ramos a caridade: eis a árvore  da paz. 

Quando vier a tribulação, receba-a como prova do amor de Cristo.

 

A verdadeira paz se encontra na cruz e na vontade de Deus.

Maria, Mãe de misericórdia e de bondade

Mulher de beleza 

Ave Maria, concebida pura de todo pecado, como são belos os teus passos, filha  primogênita do príncipe! 

Deus Pai, como um enamorado, esperou impaciente o nascimento de Maria, estrela da manhã, conforto da humanidade infeliz. 

Deus mesmo preparou Maria para ser a Mãe de seu Filho, portanto, os privilégios de  Maria são iguais ao poder de Deus.

 

Deus contemplou Maria desde toda a eternidade e encontrou nela toda a sua  complacência. 

O templo de Jerusalém era esplêndido, mas era apenas a figura do templo real escolhido  por Deus no ventre de Maria Virgem. 

A humilde Virgem de Nazaré é a maior e a mais privilegiada de todas as mulheres porque  Deus buscou nela a Mãe do Salvador. 

Maria é o cumprimento das Escrituras: é o cedro verdejante do Líbano, o mais belo  cipreste de Sion, a palmeira fecunda de Cades, a rosa púrpura de Jericó; é a oliveira  florida dos campos, o plátano exuberante ao longo dos cursos de água; é a flor do cinamomo de perfume suave, é bálsamo puríssimo e mirra selecionada. 

Uma vez que Jesus Cristo é rei e Senhor do mundo, Maria, sua Mãe, é rainha e senhora  do céu e da terra.

 

Mulher de benevolência 

Deus não quis assumir a carne de Maria sem o seu consentimento, por isso, pediu-lhe  que pronunciasse o seu "fiat". 

Maria nos ama como verdadeiros filhos e está sempre pronta a nos ajudar. 

Maria é mãe de misericórdia, tem o coração repleto de compaixão por nós seus filhos,  dela nos vêm vida, esperança e doçura. Deus Pai deu ao Filho a tarefa de julgar, à Mãe  aquela de compadecer e confortar.

Maria não é somente rainha do céu e da terra, mas é também Mãe de misericórdia. 

Maria, por vontade de Deus, se tornou caminho para os desorientados, luz de  consolação, de paz e de alegria, esperança segura para a humanidade ferida, salvação  verdadeira, porto de refúgio. 

Maria pode interceder por nós, ela tem todo o poder. Maria quer interceder por nós  porque Jesus Cristo nos deu a ela como filhos na pessoa de João. 

Maria, segundo as Escrituras, é a cidade dos justos, a cidade fiel, a cidade santa, cujos fundamentos estão nos montes santos, é a cidade da glória perfeita, a alegria de toda a  terra. 

No mar tempestuoso da vida, Maria é o porto seguro, é a estrela: nas dificuldades, nas  dúvidas, olhemos para Maria, invoquemos Maria. 

Ofereçamos a Maria um coração puro e rico de virtudes, corrigindo os defeitos progredindo na perfeição.

Nazaré: o secreto esplendor do quotidiano 

Em Nazaré havia somente José para servir a Jesus e Maria. 

Na vida quotidiana, pense que é José e que as pessoas a quem serve são Jesus e Maria. 

Jesus foi chamado o filho do carpinteiro, daquele carpinteiro de Nazaré... e não se  envergonhava. 

O trabalho é dignidade para o homem. 

Aprendi, Senhor, quem é o teu predileto: é o pobre. Desde a tua manifestação no mundo  me fazes entender isso. Amarei a pobreza como tu a amaste e nos pobres amarei a ti  mesmo. 

Jesus nos pede a humildade dando-nos o exemplo. 

Nada é vil ou insignificante em Nazaré: todo trabalho, por mais cansativo ou simples que  seja, é serviço de amor a Jesus. 

Quando o quotidiano parecer obscuro, monótono, sem sentido, pense em Nazaré e tudo se iluminará com o reflexo da Encarnação. 

Se preparar a refeição, se fizer qualquer outro trabalho quotidiano, faça-o com o mesmo  coração de Maria, quando preparava a refeição para Jesus. 

Se quiser ser digno de servir em Nazaré, peça e busque a pureza do coração e da mente

A oração 

Rezar com confiança 

Tenha grande confiança no Coração de Jesus: ele a ama muito e está sempre perto de  você. 

Ao Senhor agrada a oração, mesmo breve, feita com fervor, simplicidade de coração e  confiança. 

Como pela janela entrava a luz do dia na arca de Noé, assim, pela meditação entra a luz  de Deus nas profundezas do espírito. 

Para nutrir o espírito, a Palavra de Deus deve se tornar alimento contínuo. A Palavra de Deus é conforto no sofrimento, sustento na dificuldade. 

Muitos rezam e não alcançam nada porque não rezam bem: Deus deseja que nós lhe  peçamos para sermos semelhantes ao seu filho Jesus Cristo, então sim irá nos escutar.

Eis a oração agradável a Deus: que o soberbo peça humildade; o avarento, a  generosidade; o sensual, a pureza; o intemperante, a sobriedade; o irascível, a mansidão; o invejoso; o amor ao próximo. 

Deve-se rezar com fé, com viva esperança e confiança, com pureza de coração e mente. 

 

Você quer ser ouvido quando reza, mas você reza somente quando se encontra em  algum perigo ou desgraça.

 

Rezar com perseverança 

Ajudemo-nos com a oração para caminharmos juntos em direção a Jesus. 

Invoquemos o Espírito Santo com boas disposições, decididos a mudar de vida, a  caminhar pela via da salvação, e assim veremos o progresso. 

Precisamos rezar para alcançar a graça e precisamos da graça para fazer o bem. 

Se provar aridez e fadiga na oração, não desanime, imagine ser uma pequena estátua  do jardim do Senhor, uma estátua apreciada por ele. 

Rezar com humildade, simplicidade e caridade 

Rezar com humildade, simplicidade e caridade Um cristão sem espírito de oração é como  uma árvore sem frutos e prestes a secar-se. 

Quem quer se mostrar singular na oração, dificilmente terá um espírito fervoroso e simples. 

E importante alimentar o fervor e nutrir o espírito com boas leituras. A verdadeira devoção tem sua raiz no coração. 

A vida espiritual cresce quando envolvida pelo silêncio. 

Para um cristão, o estudo da Sagrada Escritura deve ser a base de qualquer outro estudo.

 

Podemos render graças a Deus Pai com as mãos manchadas de culpas contra os irmãos?

Flores sobre caminhos íngremes: as virtudes

Fé, a concha do peregrino 

Você ama a Deus de verdade? Sim, se o ama com humildade, paciência e ardor, nos momentos bons e nas desgraças, quando recebe honras e quando é desprezado, quando  está bem e quando está doente. 

Deus criou o homem e espera que ele o reconheça como o seu Criador e caminhe ao seu  encontro, fazendo tesouro de tudo aquilo que lhe acontecer no quotidiano. 

Ande na minha presença e seja perfeito, diz o seu Deus; lembre-se destas palavras e nelas encontrará sustento. 

Você experimentará a paz de espírito repetindo em toda situação: "Vontade de Deus,  paraíso meu". 

Eis uma pequena regra de sabedoria: começar toda atividade invocando o Nome de  Jesus, orientar para ele a vontade e as ações, fazer tudo para honra e glória de Deus. 

A fé nos dá a verdadeira sabedoria e nos conduz à liberdade dos filhos de Deus. O amor de Deus não destrói o amor pelas coisas, simplesmente o direciona. 

O homem sozinho certamente é muito fraco, mas se ele tiver o amor de Deus, não precisará ter medo de nada. 

Não são as nossas fraquezas que nos afastam de Deus, mas a soberba.

Se a fé comunica à mente um alto conceito de Deus e da vida, a vontade se move para fazer o bem.

 

Paciência parada de espera  

Armemo-nos de santa paciência e pensemos que devemos lidar com cabeças e  temperamentos tão diferentes uns dos outros. 

Não é fácil lidar todos os dias com pessoas tão diferentes. Por isso, é necessário munir se de grande paciência. 

Somente a caridade e a doçura conquistam o coração e o persuadem do bem. 

Não tenha medo de ser indulgente demais, é sempre melhor exceder na bondade do  que tratar com dureza.

Confiança além da aparência  

É importante não fechar a porta a ninguém. 

Não é fácil receber uma correção ou uma repreensão, ao invés, estamos prontos a nos defender. Mas é sabedoria saber aceitá-las com tranquilidade e humildade. 

É bom não se afligir com o mal que se ouve; levar isso em conta e querer esclarecer é  causa de grandes males. 

Quem reconhece os próprios limites demonstra maturidade, mas isso não basta, é  preciso também saber colocar à disposição dos outros as próprias habilidades. 

Para ser humilde, não basta declarar-se o último, deve também considerar-se e deixar-se tratar como o último. Além disso, reconhecer-se o último é lealdade. 

A verdadeira humildade consiste na perfeita correspondência entre aquilo que você  pensa e aquilo que você diz: não se mostre humilde nas ações externas se o coração não  estiver convencido disso. 

É preciso primeiro viver aquilo que se prega; e para saber agir assim é preciso rezar. É humilde quem sabe tratar o próximo com grande delicadeza.

Coerência dar forma às palavras 

É necessário ter sempre Deus no coração, ideias boas na mente, respeito humano  debaixo dos pés. 

Ao cristão se pede a coragem da verdade. 

Quando se cumprimenta alguém não deve ser por força do hábito, mas por uma  necessidade do coração e por verdadeira manifestação de afeto. 

O conhecimento não é útil por si mesmo, mas como um meio para louvar a Deus. 

A caridade é verdadeira se você a pratica com todos e especialmente em casa e com os  mais fracos. 

O amor não conhece obstáculo, não desanima diante das dificuldades, não se desculpa. O amor arde de verdade se for alimentado pelas ações, não pelas palavras. 

A compaixão pelos sofrimentos e problemas das pessoas permanece um sentimento  estéril se não se transformar em formas concretas de ajuda. 

Demonstra-se amor pela própria família ou comunidade tornando-se útil, - tanto quanto possível, em todas as circunstâncias. 

Homem honesto é aquele que coloca a própria inteligência a serviço do bem social.

Cordialidade junto é melhor 

É bom ter grande estima pelos outros: aos olhos de Deus, talvez, são mais santos do que  parecem. 

Amemos de coração todas as pessoas; as da própria família e comunidade, então,  deveríamos ter por obrigação amá-las ainda mais. 

Devemos ter tanto amor pelos outros a ponto de estarmos dispostos a até mesmo dar a vida em seu benefício. 

As pessoas têm o direito de serem tratadas com muita amabilidade. O verdadeiro amor nasce no céu e não é perfeito até que não retorne para o céu. 

Quando uma pessoa pensa que somente a sua opinião é válida, as conversas se  transformam em duelos: é bom sermos pessoas desarmadas. 

Se formos tão apressados e duros nos juízos só veremos os defeitos dos outros e não o  seu esforço para corrigi-los, e certamente não saberemos como são melhores do que  nós. 

Cada pessoa, por mais limitada que possa parecer, tem boas qualidades, valorizando-as poderá fazer grande bem. 

Se alguém procurar você para qualquer esclarecimento, para resolver um conflito, para restabelecer os vínculos, deixe-se encontrar imediatamente e escute com grande  caridade. 

Viver com os outros, às vezes, implica alguns incômodos: é preciso suportá-los com paz.  É justo suportar os defeitos físicos e morais dos companheiros de caminhada. 

Você quer ser melhor do que os outros? Saiba ser por uma bagagem maior de virtudes. Quando você precisar da ajuda de alguém não a exija, mas peça-a com doçura. A paz é a base da ordem. 

Benevolência dar suporte ao irmão 

Mesmo um trabalho muito intenso não é pesado se houver concórdia e aquela  tranquilidade da qual decorre a ordem. 

Com a caridade de Jesus Cristo pode-se resolver qualquer desentendimento ajustar tudo perfeitamente. 

É preciso boa vontade e espírito de sacrifício. 

Controle a sua língua para que ela seja sempre respeitosa e amável. 

A caridade é a rainha das virtudes: cultivando-a todas as outras crescem em beleza e em  vigor. 

O humilde recebe força para si mesmo também luz para os outros. 

O homem nasceu para o amor; de fato, desde o seu nascimento ele percebe a origem desse sentimento. 

Não exija demais dos outros: é bom ir ao encontro das pessoas valorizando o que elas podem dar, com respeito e delicadeza. 

Somos humanos, não anjos, portanto, devemos perdoar muito. Quando se pretende  demais, pouco se consegue. 

Você quer saber qual é o caminho que leva direto ao cimo do monte da perfeição cristã?  A deliciosa estrada da caridade, do amor. 

Docilidade reconhecer uma voz no nevoeiro

 

É dom do Espírito Santo consolador aceitar as adversidades da mão de Deus e oferece-las como sacrifício da vontade, suportando-as com generosa resignação.

Se você dá atenção aos doentes, se tem cuidado deles e os encoraja a oferecer os seus  sofrimentos por amor a Jesus, você faz uma grande obra de caridade. 

Nos sofrimentos é bom repetir: Vontade de Deus, paraíso meu. 

É melhor tolerar a injustiça por amor a Jesus Cristo do que tentar se defender: para conseguir isso basta se lembrar de como ele suportou as ofensas. 

Quando você estiver doente, pense que foi colocado pelo Senhor em uma condição especial de merecimento: o segredo é estar em paz com a sua Vontade, suportando dores e sofrimentos por seu amor. 

Às vezes o Senhor nos conduz pela via do sofrimento para tornar mais rápido o caminho  da santidade. 

Neste mundo, nós somos peregrinos.

Santidade - Pequenos faróis em cada caminho do homem 

Meta possível a todos 

Arda nos corações a caridade que Jesus Cristo trouxe à terra. 

Quem deseja ser o melhor, que seja na caridade e na paciência. 

Doçura, doçura, doçura! Com a doçura se fazem os santos. 

A santidade é um dever: torne-se digno do prêmio que Jesus lhe preparou. 

O Evangelho é para todos: basta querer; pode-se viver de acordo com o Evangelho  qualquer que seja a condição. 

A sobriedade é uma virtude cristã que nos lembra de usar as coisas com moderação a  fim de manter nossa vida saudável, que deve ser toda dedicada a Deus. 

As dificuldades, por mais graves que sejam, são superadas com a ajuda de Deus. 

Se fizermos a experiência de ser fracos, poderemos ver nisso motivo de maior confiança em Jesus e na ajuda de Nossa Senhora. 

Em que se deve fundamentar a virtude cristã? Simples: sobre a caridade e a humildade.  Este é o Rosto de Cristo. 

Não é humilde quem esconde as próprias capacidades, mas quem as coloca à disposição  de todos, com simplicidade. 

Para viver em paz é preciso perdoar as ofensas e não guardar rancor. 

Praticar a pobreza e todas as outras virtudes não deveria ser uma tarefa cansativa, mas  uma honra, porque elas nos aproximam de Jesus Cristo. 

Quanto é importante se tornar santo! O Senhor renove o nosso coração, purifique a nossa mente, nos faça santos! 

Um caminho simples de santidade é este: santificar com atenção especial os dias de  festa, invocar com respeito o Santo Nome de Deus, da Virgem Maria e dos Santos;  respeitar os mais velhos e o próximo com as palavras, ações e também com o  pensamento; conservar puros os afetos; não cobiçar os bens dos outros e falar sempre  a verdade. 

A santidade é um caminho a ser retomado a cada dia. 

Que alguém comece bem e busque uma vida louvável não é de se admirar, mais difícil'  é perseverar. 

Quem está à frente de uma comunidade deve ser o primeiro a cumprir os deveres  próprios da comunidade.

Peçamos ao Senhor a graça: ele reforçará os nossos propósitos e nós faremos progresso  no caminho da salvação. 

É dever de cada um dirigir os próprios passos no caminho cuja meta é o Céu.

 

O Evangelho é a pedra de toque para julgar as nossas ações. 

A perseverança, da parte de Deus, é a oferta de meios para que possamos tecer a nossa  coroa; da nossa parte, é uma sucessão de atos de virtude. 

A prudência é o guia que nos pega pela mão nos caminhos tortuosos da vida. 

A verdadeira obediência se distingue pela fidelidade, prontidão, simplicidade e pelo  amor. 

Pratica-se a obediência ao cumprir a vontade de Deus expressa na sua santa lei. 

Mau humor e melancolia nos impedem de glorificar a Deus como ele merece: devemos  estar atentos para não nos deixar vencer por eles. 

Na obediência experimenta-se a verdadeira paz do coração. 

Para caminhar na estrada da santidade, basta fazer tesouro de tudo. 

Se nos deixarmos vencer pela tibieza, então vem o tédio na oração e nos tornamos insensíveis à graça. 

Quando o mar está calmo, as ondas tranquilas e não sopram ventos impetuosos todo  mundo sabe navegar. Mas é virtuoso quem sabe enfrentar a tempestade e os ventos  contrários. 

Somos templos vivos do Espírito Santo; é por isso que temos que ser vigilantes sobre os  nossos sentimentos e o nosso comportamento. 

Vigiar na expectativa de um encontro 

Conservemos no coração o santo temor de perder o fervor no caminho espiritual. 

 

Tenhamos sempre presente este santo pensamento: se homens famosos pela santidade  e ciência puderam cair, mais ainda nós podemos cair, nós que somos tão fracos e tão  inconstantes no bem! Estejamos atentos com uma resolução firme, com bons  propósitos e em contínua oração. 

Se um peregrino perceber que está fora do caminho, o que fará? Lamentará o tempo  perdido, voltará atrás e retomará o caminho com maior entusiasmo e dedicação,  procurando corrigir o erro cometido. 

Todos os homens procuram fervorosamente melhorar a própria condição, ainda que  tudo seja breve, passageiro e cada momento lhes traga sofrimentos e problemas. 

E nós, quanto nos empenhamos pela nossa vida espiritual? 

Despertemo-nos da sonolência! 

Senhor, não permita que eu, chamado a testemunhar a sua verdade, testemunhe a mim  mesmo. 

Desejo, Senhor, buscar a ti e a tua glória, especialmente na opaca obscuridade das coisas que parecem insignificantes.

 

Educar - Arte da construção futura com a inteligência do coração 

O Educador 

Doçura, discrição, perseverança: eis as armas de um educador. 

Educar é arte do coração. 

Pensem, educadores, vocês não assumem só o cuidado da mente dos alunos, mas  também da alma e do coração, algo delicado demais; por isso, devem revestir-se de  Jesus Cristo. 

Para um educador, os alunos estão acima de todos os seus pensamentos e de todos os  seus afetos. 

Se você tem a tarefa de ensinar e não continua se dedicando ao estudo, você é como  um cego que pretende ser guia de um outro cego. 

Um bom educador vê tudo, corrige pouco, castiga pouquíssimo. 

Pode-se considerar educador verdadeiro aquele que integra à inteligência e à  preparação a paixão de conduzir os alunos ao próprio aperfeiçoamento. 

Os professores educam se tiverem amor pelos alunos. O aluno deve primeiro ser  instruído sobre os seus deveres; se depois não cumpri-los deverá ser incentivado com  paternas admoestações. 

Como São José, vocês também serão agradáveis a Deus pelos cuidados que prestarem  às crianças e aos jovens, que são tão queridos ao seu Coração. 

A virtude característica de um educador é, sem sombra de dúvida, a paciência. 

O educador convive com seus alunos, por isso, deve ser modelo de virtude e de relacionamento cordial. 

O educador procure exigir de cada aluno o que melhor possa corresponder às suas habilidades.

 

O Aluno 

Desde o tempo de escola, aprende a viver como cidadão, a assumir responsabilidade, a  tratar as pessoas com cortesia. 

Para um estudante, dedicar-se ao estudo é dever de sua própria condição. 

Uma pessoa poderá ser considerada educada se tiver desenvolvido uma consciência  moral íntegra. 

Seu futuro está em suas mãos: com propósitos firmes poderá construí-lo de forma  segura. 

O estudo não é um exercício pesado, mas meio adequado para a construção do futuro. Dedique-se ao estudo não por constrangimento, mas como o seu dever de hoje.

Hoje, na escola, você se prepara para ser o cidadão de amanhã.

Os Pais 

Os pais educam, vigiam, corrigem com o exemplo e com o amor. 

É tarefa dos pais ensinar, vigiar, corrigir e confirmar com o exemplo aquilo que  constroem com as suas palavras. 

Corrigir os filhos pode parecer uma crueldade. 

Mais cruel é deixar que as más inclinações tomem conta deles. 

O estilo de educar 

Na ação educativa é importante conciliar doçura com firmeza. 

As maneiras pacientes, afetuosas e persuasivas educam facilmente e, por isso,  raramente haverá necessidade de punição. 

Ao corrigir é necessário ter firmeza, mas regulada pela discrição. 

Só agindo com tranquilidade e serenidade a correção poderá ser eficaz, caso contrário  só servirá para irritar os corações, sem produzir qualquer efeito. 

Para corrigir um estudante, às vezes, basta demonstrar tristeza por aquilo que tenha  acontecido. 

Se o educador integrar doçura e credibilidade, não servirá o castigo.

Se o educador estiver irritado por causa de um defeito ou falha de um aluno, antes de  corrigi-lo, deverá procurar tranquilizar-se. 

Se depois de haver tentado as formas de persuasão e advertência é que poderá ser aplicada a correção. 

As instituições educativas 

Um País que deseja cidadãos bem formados e responsáveis sabe investir muito na  educação. 

O principal objetivo de uma escola é a educação da mente e do coração dos alunos. 

Nos educandários deve-se estabelecer um programa de vida planejado para tornar  harmoniosa e agradável a permanência dos alunos. 

Ao diretor de uma escola compete assegurar a unidade didática e pedagógica e o  direcionamento educativo. É seu dever agir em conformidade com os estatutos. 

Uma instituição educativa católica se modela na caridade e mansidão com as quais o  Santíssimo Redentor modelou a sua suave religião.

No Trabalho, O homem mostra a sua familiaridade com Deus 

Construtores da Humanidade  

Quem não colaborar com o bem social é um membro perturbador da comunidade. Não rejeite a fadiga inerente ao seu trabalho. 

Antes, é seu dever aceitá-la e usar todo talento que tem para que ele se desenvolva em  todo o seu potencial. 

É necessário um longo aprendizado, gradual, sério para realizar um trabalho com  competência. 

Se você recusar a fadiga, negará a si mesmo o futuro que deseja. 

O homem é membro da grande família universal e, por isso, em proporção às suas  forças, deve colaborar com os outros para o bem comum.

Quem é chamado a formar os jovens para o trabalho deve proceder por etapas: antes despertar a percepção intelectiva, depois a imaginação, o senso estético, a boa vontade e o gosto pelo trabalho até levá-los a desejar a perfeição. 

O formador deverá associar atitudes intelectuais e morais, em conformidade com a tarefa educativa, e ter um coração grande para despertar nos alunos o gosto pelo  trabalho. 

O salário deve ser pago de acordo com a justiça: não é lícito oprimir o trabalhador.

 

Um  dia, quando passava pelo campo, São Filipe Néri viu um velho que trabalhava  arduamente em sua lavoura. Perguntou-lhe: "Por que te afadigas tanto"? O velho  respondeu: "Para ganhar o pão. Por qual outro motivo faria isso?  

São Filipe sugeriu-lhe: "Meu caro senhor, acrescente uma palavra e você irá multiplicar  o proveito: trabalho para ganhar o pão e o paraíso".

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